quinta-feira, 28 de abril de 2016

MEDITAR É MERGULHAR NA SUPREMA REALIDADE


Por ter se tornado “moda”, meditar tem, atualmente, inúmeros jeitos e adjetivos. Aparentemente, há métodos de meditação para todos os gostos e bolsos, pois muitos são ensinados mediante pagamento. Mas na verdade os modos de meditar apresentados pela maioria dos mestres e gurus expressam muito mais as características dos seus apresentadores do que as preferências e as reais necessidades de seus discípulos.
Assim, meditar, hoje em dia é como comprar roupas numa loja. À primeira vista, parece haver tamanhos, cores e modelos ideais para todos tipo de gente. Mas, na verdade só existem mesmos as que seus fabricantes querem e precisam vender. Seguem alguns padrões universais, como se só existissem tantos tipos físicos em todo o planeta. Aí, as pessoas é que têm que se adaptar a elas, e não elas às pessoas.
Nem toda pessoa que usa manequim número 40 tem a mesmíssima medida de cintura e quadril. Para umas esse tamanho aperta um pouco aqui e solta acolá. Para outros acontece exatamente o contrário. O ideal é a roupa feita sob medida, personalizada. Mas o sistema e o jeito de vida que o sistema impõe impossibilita essa prática.
Mas, a meditação, como as roupas, os remédios e as comidas tem que estar totalmente afinada com seu usuário. Tem que respeitar as características de cada indivíduo. Desde o tipo físico, sua história de vida, seu temperamento até as suas habilidades e carências. Na verdade, cada pessoa é única e por isso precisa e deve realizar o processo meditativo que esteja profundamente de acordo com ela.
Pois o que importa, nesse caso, é o "que" e não o "como". O destino e não a estrada que é o objetivo da caminhada. Quando se trata de meditar, é como diz o Dalai Lama: “não se corta a pessoa pra servir na capa,  mas se corta a capa para servir na pessoa.
Quando a pessoa medita, a expansão da consciência é o que realmente tem importância. Se for através práticas ióguicas, de koans zen-budistas, de mantras tibetanos, ou jaculatórias católicas, não importa. O que importa é o resultado, ou seja, o controle da mente, a profunda integração do indivíduo e sua conexão com a pura e verdadeira realidade suprema.
Por isto é que dizemos que a meditação é, pura e simplesmente, o instrumento de busca e realização de todo o potencial de divindade existente no fenômeno humano. É o meio com o qual a pessoa consegue se tornar o que realmente é.
Também não consideramos a meditação como uma “fuga do mundo”, uma maneira de superar os problemas da realidade apenas se escondendo deles. Pelo contrário. Afirmamos que meditar, verdadeiramente, é mergulhar profundo na existência concreta. Meditar não entorpece e sim aguça os sentimentos, a percepção e os sentidos, tornando-os mais finos, penetrantes e sensíveis.
É como acender a luz para melhor enxergar os detalhes da vida.  É conectar-se, plugar na tomada. Estabelecer ligações reais, puras e verdadeiras conosco, com as pessoas, com o universo, com a História.
É enfim, descobrir, tirar o véu da ilusão que cobre e obscurece a faísca da Suprema Divindade que está em tudo e que tudo contém.

terça-feira, 26 de abril de 2016

SAIBA QUE EXISTE UMA SEMENTE DE BONDADE NO CORAÇÃO DO SER HUMANO


Atualmente, a violência  - em forma de jornalismo, entretenimento e arte -  entra em nossas casas e cabeças por todos os lados. E vira rotina do dia a dia. É como se a brutalidade de uns, a dor de outros e a indiferença da maioria fossem implícitas à natureza humana. “Homo homini lupus (o ser humano é o predador do ser humano)”, dizia Thomas Hobbes, já no início do Século XVII.
Porém, antes que essa ilusão ganhe força e vire uma verdade em nossa vida, parece que um anjo, sob a forma de insight, nos consola e nos alerta: “há uma semente viva de bondade no coração humano. O que falta é cultivo para que germine, cresça, cubra de flores e frutos”.
Com a mesma beleza e força que o Sol surge invicto toda manhã e que a Primavera irrompe festiva ao final do Inverno, a humanidade e toda a criação se inclinam para o bem.
Há tempos, li o relatório de um grupo de arqueólogos que descobriu no deserto da Ásia vários esqueletos de mais de 2, 5 milhões de anos. Seria apenas mais um achado interessante, mas não fantástico, se um punhado de ossos não chamasse a atenção, deixando maravilhados os cientistas. Era o esqueleto de uma criança de mais ou menos 13 anos, que tinha mãos e pés atrofiados.
Como pode sobreviver essa criatura, esse tempo todo, num ambiente tão hostil e severo, sem condições de andar, caçar, colher frutas e sequer colocar a própria comida na boca? Seus parentes haviam cuidado dela, concluíram fascinados os pesquisadores!
Um arqueólogo de origem hindu explicou: Esta é a prova científica mais antiga de que a compaixão e o cuidado é que nos tornam legitimamente humanos. Como a abelha que foi feita para fazer o mel, fomos feitos para a prática da bondade.
Por isso socorremos, defendemos e cuidamos uns dos outros e do mundo. É isto que sabemos e costumamos fazer instintivamente.
Há um conto budista que fala de um monge que, vendo um escorpião sendo levado pela correnteza, entrou na água e com as mãos resgatou o inseto que lhe aplicou, na hora, uma dolorosa ferroada no seu dedo.
Quando o monge gemeu, o bicho lhe perguntou: “Você não sabe que sou um escorpião e que minha natureza é ferroar?” E o monge lhe respondeu: “Sim, eu sei. Mas é que eu sou um ser humano e minha natureza é cuidar”.
Então, a violência, a crueldade e o descaso não são atributos humanos inatos e naturais. São doenças contagiosas que atacam e apodrecem a alma. O único meio de se livrar desse mal é deixar de alimentá-lo com nossa atenção. Tirar do mal o foco do nosso interesse. Assim, ele definha, acaba por sumir.
E, por fim, ressaltar em todo momento, que há outra tendência humana mais importante e muito mais forte: a bondade.
Essa vocação para o bem é o instinto que devemos cultivar, fazer crescer, e deixar que, enfim, domine o Universo.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

TARA VERDE, A MÃE DE TODOS OS ILUMINADOS

OUÇA A VOZ DO SEU SILÊNCIO


Nunca os seres humanos puderam se comunicar com tanta facilidade. No entanto, as comunicações entre as pessoas nunca foram tão superficiais, ligeiras e insatisfatórias. Tem gente se encontrando, falando e até ouvindo centenas de pessoas todos os dias nas redes sociais ou através dos aplicativos dos celulares, Contudo, há pouca gente convivendo de verdade, olhos nos olhos, face a face, coração a coração.  Até entre os membros de uma mesma família cresce a distância afetiva apesar de viverem em espaços cada vez mais escassos.
Além de indigentes de relações profundas com as outras pessoas, estamos carentes de relações conosco. Falta tempo para o diálogo interior, e falta também vontade. Na verdade, parece haver certo medo de intimidade. Quando a sós, buscamos ocupações exteriores que capturem nossa atenção e nos livre de ouvirmos o que nosso íntimo tem a nos falar. Tememos nossos demônios internos e desprezamos o anjo que existe em cada um.
Uma das armas mais utilizadas para fugir de nós mesmos são as inúmeras facilidades tecnológicas que o sistema tem nos empurrado goela abaixo. Quando não encontramos os pseudoamigos “on” para troca de mensagens banais, acessamos os vídeos, as músicas que cada dia que passa falam menos de sentimentos e emoções para entoar um rosário de frases vazias de sentido e de valor.
O silêncio, hoje em dia, é o artigo mais raro e precioso na vida de todo mundo. E o mais evitado também. A ausência de barulho e de imagens traz consigo a perigosa possibilidade de ouvirmos nosso próprio coração. E, certamente o que ele tem a nos dizer vai incomodar, pois o coração quer, deseja e precisa de verdades, de luz. Então é melhor não dar tempo para que ele nos tire da zona de conforto onde podemos existir, mas nunca viver. Viver de verdade, em plenitude.
O resultado dessa vida absurda é que a vida passa e deixa nas mentes um gosto amargo de haver perdido tempo. Passamos pela vida, mas não vivemos. Como numa longa viagem em que mergulhamos no sono ou numa distração e não percebemos tudo o que havia às margens da estrada. Fica só o cansaço do percurso, o desconforto do tempo passando lento, mas nenhuma lembrança que amenize o tédio.
Por isso é que propomos a prática do silêncio interior como forma de descobrir a beleza e a força que existe dentro de cada um de nós. Ao silenciarmos poderemos perceber que as vozes de vêm de dentro não são desalojantes. Não incomodam a não ser a pasmaceira de uma vida vivida pelas metades, sem sentido, sem luz. As vozes interiores nos mostra o poder e a perfeição infinita da qual podemos participar.

Nosso coração, quando estamos em silêncio, sussurra para nossa alma a Verdade Eterna que nos leva a compreender e a superar o sofrimento, a entender a usufruir a paz.

domingo, 24 de abril de 2016

Sublime Invocação

Esta oração, composta por Ton Alves no quinto aniversário do Projeto Casulo, em maio de 2009, acaba se revelando um fórmula de confissão do que vai sua alma. É por isto, um Credo, uma fórmula de fé e de esperança!



Sublime Invocação
Ó Suprema Divindade,
Matriz de todos os seres
Útero que gera o Universo,
Seio que sustenta a Vida.
Fogo que tudo cria, transforma e consome!
Bendito és Tu, Mistério Absoluto
que nenhuma mente compreende
pois não existe palavra que Te possa explicar!
Que a luz da tua perfeição seja o farol
da Humanidade que evolui rumo a Ti,
Causa e Destino de toda existência!
Que o Teu Amor seja nosso ânimo,
Tua Sabedoria nos conforte
e Teu Poder nos dê coragem!
Que a Beleza da Tua Face,
que brilha na harmonia da Tua obra,
alegre nossos dias até nos transformarmos
em tudo que projetastes!
Porque assim é,
assim eu creio, assim eu proclamo!
                                                                                                                              
                                                              Ton Alves